terça-feira, 26 de abril de 2016

Resumo
O Vagabundo na esplanada

O vagabundo era um homem pobre, que andava na rua, tinha cerca de cinquenta anos, olhos azuis, era baixo e vestia uma roupa muito velha e gasta, mas limpa.
Nos Restauradores, o homem viu uma esplanada e sentou-se descontraidamente numa mesa, mas as pessoas acharam-no estranho, pobre, não gostaram do aspeto dele e, por isso, chamaram o empregado da esplanada para expulsar o vagabundo daquele espaço.  Então, o funcionário da esplanada dirigiu-se ao vagabundo e disse-lhe que ele não podia estar ali, porque era reservado o direito de admissão.

Então, o homem pobre disse que não conhecia esse direito, olhou para as pessoas que estavam à sua volta e inverteu a situação, dizendo que essas pessoas eram estranhas, mas que podiam ficar, e pediu calmamente uma cerveja fresca ao empregado, como se o assunto não lhe dissesse respeito.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

O Vagabundo na Esplanada - Manuel da Fonseca


O vagabundo, de mãos nos bolsos das calças, vinha, despreocupadamente, avenida abaixo.
Cerca de cinquenta anos, atarracado, magro, tudo nele era limpo, mas velho e cheio de remendos. Sobre a esburacada camisola interior, o casaco, puído nos cotovelos e demasiado grande, caía-lhe dos omboros em largas pregas, que ondulavam atrás das costas ao ritmo lento da passada. Desfiadas nos joelhos, muito curtas, as calças deixavam à mostra as canelas, nuas, finas de osso e nervo, saídas como duas ripas dos sapatos cambados. Caído para a nuca, copa achatada, aba às ondas, o chapéu semelhava uma auréola alvacenta.
Apesar de tudo isso, o rosto largo e anguloso do homem, de onde os olhos azuis-claros irradiavam como que um sorriso de luminosa ironia e compreensivo perdão, erguia-se, intacto e distante, numa serena dignidade.
Era assim, ao que se via, o seu natural comportamento de caminhar pela cidade.
Alheado, mas condescendente, seguia pelo centro do passeio com a distraída segurança de um milionário que obviamente se está nas tintas para quem passa. Não só por educação mas também pelos simples motivo de ter mais e melhor em que pensar.
O que não sucedia aos transeuntes. Os quais, incrédulos ao primeiro relance, se desviavam, oblíquos, da deambulante causa do seu espanto. E à vista do que lhes parecia um homem livre de sujeições, senhor de si próprio em qualquer circunstância e lugar, logo, por contraste, lhes ocorriam todos os problemas, todos os compadrios, todas as obrigações que os enrodilhavam. E sempre submersos de prepotências, sempre humilhados e sempre a fingir que nada disso lhes acontecia.
Num instante, embora se desconhecessem, aliviava-os a unânime má vontade contra quem tão vincadamente os afrontava em plena rua. Pronta, a vingança surgia. Falavam dos sapatos cambados, do fato de remendos, do ridículo chapéu. Consolava-os imaginar os frios, as chuvas e as fomes que o homem havia de sofrer. No entanto alguém disse:
– Devia ser proibido que indivíduos destes andassem pela cidade.
E assim resmungando, se dispersavam, cada um às suas obrigações, aos seus problemas.
Sem dar por tal, o homem seguia adiante.
Junto dos Restauradores, a esplanada atraiu-lhe a atenção. De cabeça inclinada para trás, pálpebras baixas, catou pelos bolsos umas tantas moedas, que pôs na palma da mão. Com o dedo esticado, separou-as, contando-as conscienciosamente. Aguardou o sinal de passagem, e saiu da sombra dos prédios para o sol da tarde quente de Verão.
A meio da esplanada havia uma mesa livre. Com o à-vontade de um frequentador habitual, o homem sentou-se.
Após acomodar-se o melhor que o feitio da cadeira de ferro consentia, tirou os pés dos sapatos, espalmou-os contra a frescura do empedrado, sob o toldo. As rugas abriram-lhe no rosto curtido pelas soalheiras um sorriso de bem-estar.
Mas o fato e os modos da sua chegada haviam despertado nos ocupantes da esplanada, mulheres e homens, uma turbulência de expressões desaprovadoras. Ao desassossego de semelhante atrevimento sucedera a indignação.
Ausente, o homem entregava-se ao prazer de refrescar os pés cansados, quando um inesperado golpe de vento ergueu do chão a folha inteira de um jornal, e enrolou-lha nas canelas. O homem apanhou-a, abriu-a. Estendeu as pernas, cruzou um pé sobre o outro. Céptico, mas curioso, pôs-se a ler.
O facto, de si tão discreto, pareceu constituir a máxima ofensa para os presentes. Franzidos, empertigaram-se, circunvagando os olhos, como se gritassem: "Pois não há um empregado que venha expulsar daqui este tipo!" Nas caras, descompostas pelo desorbitado melindre, havia o que quer que fosse de recalcada, hedionda raiva contra o homem mal vestido e tranquilo, que lia o jornal na esplanada.
Um rapaz aproximou-se. Casaco branco, bandeja sob o braço, muito senhor do seu dever. Mas, ao reparar no rosto do homem, tartamudeou:
– Não pode...
E calou-se. O homem olhava-o com benevolência.
– Disse?
– É reservado o direito de admissão – tornou o rapaz, hesitando. – Está além escrito.
Depois de ler o dístico, o homem, com a placidez de quem, por mera distracção, se dispõe a aprender mais um dos confusos costumes da cidade, perguntou:
– Que direito vem a ser esse?
– Bem... – volveu o empregado. – A gerência não admite... Não podem vir aqui certas pessoas.
– E é a mim que vem dizer isso?
O homem estava deveras surpreendido. Encolhendo os ombros, como quem se presta a um sacrifício, deu uma mirada pelas caras dos circunstantes. O azul-claro dos olhos embaciou-se-lhe.
– Talvez que a gerência tenha razão – concluiu ele, em tom baixo e magoado. – Aqui para nós, também me não parecem lá grande coisa.
O empregado nem podia falar.
Conciliador, já a preparar-se para continuar a leitura do jornal, o homem colocou as moedas sobre a mesa, e pediu, delicadamente:
– Traga-me uma cerveja fresca, se faz favor. E diga à gerência que os deixe ficar. Por mim, não me importo.

"O Vagabundo na esplanada", in "Tempo de Solidão", Manuel da Fonseca.


Manuel da Fonseca


         Manuel Lopes Fonseca, mais conhecido como Manuel da Fonseca, nasceu em Santiago do Cacém, no dia 15 de outubro de 1911 e faleceu em Lisboa, no dia 11 de março de 1993. Foi um escritor (poeta, contista, romancista e cronista) português. 
         Após ter terminado o ensino básico, Manuel da Fonseca prosseguiu os seus estudos em Lisboa. Estudou no Colégio Vasco da Gama, Liceu Camões, Escola Lusitânia e Escola de Belas-Artes. Apesar de não ter sobressaído na área das Belas-Artes, deixou alguns registos do seu traço, sobretudo nos retratos que fazia de alguns dos seus companheiros de tertúlias lisboetas como é o caso do de José Cardoso Pires. Durante os períodos de interregno escolar, aproveitava para regressar ao seu Alentejo de origem. Daí que o espaço de eleição dos seus primeiros textos seja o Alentejo. Só mais tarde e a partir de Um Anjo no Trapézio é que o espaço das suas obras passa a ser a cidade de Lisboa.
         Membro do Partido Comunista Português  (PCP), Manuel da Fonseca fez parte do grupo do Novo Cancioneiro e é considerado por muitos como um dos melhores escritores do neo-realismo português. Nas suas obras, carregadas de intervenção social e política, relata, como poucos, a vida dura do Alentejo e dos alentejanos.
         A sua vida profissional foi muito díspar, tendo exercido nos mais diferentes setores: comércio, indústria, revistas, agências publicitárias, entre outras.

         Era membro da Sociedade Portuguesa de Escritores, quando esta atribuiu o Grande Prémio da Novelística a José Luandino Vieira pela sua obra Luanda, o que levou ao encerramento desta instituição e à detenção de alguns dos seus membros na prisão de Caxias, entre os quais Manuel da Fonseca. 


                                              Bibliografia

       

                                                  Curiosidade

"Seara de vento", Manuel da Fonseca


·         A obra que Manuel da Fonseca escreveu vai ser adaptada por Sérgio Tréfaut para o cinema e as filmagens já arrancaram. Entre os concelhos de Beja, Moura e Serpa. Tanto o livro, como o filme, que terá o mesmo nome, são inspirados em factos reais, que aconteceram em Trindade, em 1932, e que ficaram inscritos na história do País como “A tragédia de Beja”. Mas a versão de Manuel da Fonseca e a deste argumento, da autoria do realizador que mostrou a região ao mundo através do documentário “Alentejo, Alentejo”, enquadra-se nos anos 50. O “Diário do Alentejo” esteve a acompanhar as filmagens que decorreram no monte isolado de Valmurado, no casebre da família, e assistiu à gravação das cenas que envolvem Palma, Júlia, Amanda Carrusca, João Carrausca, Mariana e Bento. Começou a ser filmada a história que Sérgio Tréfaut apelidou “de orgulho e dignidade”. Uma história alentejana, que afinal é universal e, por isso, do mundo. 

      " Bruna Soares, "Diário do Alentejo", 22/03/2016

terça-feira, 5 de abril de 2016

As minhas férias da Páscoa


        As minhas férias da Páscoa foram boas. Às vezes, fiquei em casa mas também saí com um amigo.
        O meu amigo chama-se José Santos, é baixo, tem os olhos escuros, é magro e tem o cabelo grande. Eu e o José fomos passear nas ruas de Moura. O tempo esteve bom, sempre com o céu limpo, durante as férias, porque começou  a primavera.
        O meu monte está muito bonito, poderia dizer perfeito, porque desabrocharam todas as plantas e a minha árvore está a ficar com folhas verdes.
        Estive com os meus pais. A minha mãe tem  uma estatura média, os olhos escuros,  é magra e tem o cabelo encaracolado. O meu pai também tem uma estatura média, tem pouco cabelo, tem os olhos escuros e é forte, porque só faz exercício físico no verão.         
           Durante as férias, fui trabalhar no campo com os meus pais. Nos próximos tempos, quero limpar a piscina e temos de comprar os produtos necessários para a água.

        Eu e a minha mãe fomos passear no campo e as férias foram ótimas, mas passaram muito depressa!


quinta-feira, 10 de março de 2016

Texto Narrativo

O texto narrativo conta uma ação, desempenhada por personagens que se deslocam num determinado espaço e num determinado tempo. Há vários géneros narrativos: contos, novelas, romances, notícias, relatórios...

Categorias da narrativa
Narrador

Presença
·         Autodiegético - quando é personagem principal.
·         Homodiegético - quando é personagem secundária.
·         Heterodiegético - quando é uma personagem exterior à ação.

Ciência/Visão
·         Omnisciente - quando sabe os pensamentos das personagens.
·         Não omnisciente - quando desconhece os pensamentos das personagens.
Posição
·         Subjetivo - quando apresenta comentários.
·         Objetivo - quando narra a história sem dar a sua opinião.


Ação
Relevo:
·         Principal - constituída pelos acontecimentos principais.
·         Secundária - constituída pelos acontecimentos menos relevantes.
Estrutura:
·         Encadeamento - as sequências encontram-se ordenadas cronologicamente.
·         Encaixe - uma sequência é encaixada dentro de outra.
·         Alternância - várias sequências vão sendo narradas alternadamente.
Momentos:
·         Situação inicial - introdução, onde se apresentam as personagens etc.
·         Peripécias ou ponto culminante - desenrolar do enredo, conduzindo ao desenlace.
·         Desenlace - conclusão.
Delimitação:
·         Aberta - Quando não se conhece o desenlace da história
·         Fechada - Quando Se Conhece O Desenlace ; Conhecendo-se o destino de todas as personagens.

Personagens
Relevo:
·         Principal - papel preponderante, no qual é o centro da ação.
·         Secundária - papel de menor relevo, auxiliando a personagem principal.
·         Figurantes - não intervêm diretamente na ação, servem como uma "decoração".

Composição:
·         Modelada ou redonda - comportamento altera-se ao longo da ação.
·         Plana - mantém sempre o mesmo comportamento.
·         Tipo - representa uma estrutura social ou um grupo.
Processo de caracterização:
·         Direta -
1.   autocaracterização - feita pela própria personagem.
2.   heterocaracterização - feita pelo narrador ou outra personagem.
·         Indireta - deduzida pelo leitor.

Tempo
  • Cronológico - sucessão cronológica dos acontecimentos
  • Histórico - corresponde a época ou ao momento em que decorre a ação.
  • Psicológico - tempo vivido pela personagem, de acordo com o seu estado de espirito.
  • Do discurso - corresponde ao tempo em que a história é escrita.
Espaço

  • Físico- lugar onde se desenrola a ação.
  • Social - meio ambiente onde a ação decorre.
  • Psicológico - refere-se ao interior das personagens.
MÓDULO Nº 4

Conteúdos

Leitura: Textos Narrativos / Descritivos
             Conto / novelas de autores do século XX

Expressão oral: reconto

Expressão escrita: relatório, textos narrativos, descritivos, reconto, síntese de textos informativos-expositivos

Funcionamento da língua: classe de palavras e sintaxe




quarta-feira, 9 de março de 2016

The Revenant: (O Renascido)



Género: Aventura, Drama

Data de estreia: 21/01/2016

Titulo original: The Revenant

Realizador: Alejandro G. Iñárritu

Atores :Leonardo Dicaprio, Tom Hardy, Domhnall Gleeson, Will Palter, Lukas Haas

Distribuidora: Big Picture Films

País: EUA

Ano: 2015

Duração (minutos): 156

Sinopse:

Inspirado em factos verídicos, THE REVENANT (O RENASCIDO) é uma experiência cinematográfica imersiva e visceral sobre a sobrevivência de um homem e o extraordinário poder do espírito humano. Numa expedição pelo desconhecido território americano, o lendário explorador Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) é brutalmente atacado por um urso e deixado como morto pelos seus companheiros de caça. Na luta pela sobrevivência, Glass resiste a um sofrimento inimaginável, bem como à traição de John Fitzgerald (Tom Hardy), um dos seus companheiros de expedição. Guiado pela sede de vingança e o amor da sua família, Glass terá de enfrentar um inverno rigoroso numa busca incessante pela sobrevivência e redenção. The Revenant (O Renascido) é realizado e coescrito pelo conceituado cineasta, vencedor de Óscares da Academia Alejandro González Iñárritu (Birdman, Babel).


Na 88ª edição dos óscares da Academia de Hollywood, no passado dia 28 de fevereiro, o filme "The Revenant" ("O Renascido") recebeu três óscares, dois deles para o realizador, Alejandro G. Iñárritu, e um para o ator Leonardo DiCaprio.

Eu gostei muito deste filme, porque o ator principal faz muitas coisas para sobreviver na floresta. Neste espaço, também cometem crimes, há homens contra homens, numa luta pela continuidade da vida. Na floresta, está muito frio e também há neve e chuva. O filme tem cenários muito bonitos, muitos efeitos especiais e os atores desempenham muito bem os seus papéis, mostrando que todos os seres humanos lutam pela sobrevivência. Por vezes, é preciso ter sangue frio, ou seja, muita coragem para se conseguir ultrapassar os obstáculos. É um filme de ação, muito emocionante, que eu aconselho a todas as pessoas que gostam de dramas no cinema.